A linguagem da tabela periódica

Cada número no painel de detalhes de um elemento conta uma parte da sua história. Veja aqui o que cada um significa, com exemplos reais da tabela e os padrões que vale a pena observar.

Identidade: o que define um elemento

Número atômico

O número de prótons no núcleo de um átomo. É a carteira de identidade do elemento: mude esse número e você terá outro elemento.

  • Exemplo: Todo átomo com 6 prótons é carbono, esteja ele em um diamante, em um lápis ou no seu DNA.
  • Tendência: Aumenta exatamente uma unidade a cada passo pela tabela, lendo da esquerda para a direita e de cima para baixo, do hidrogênio (1) ao oganessônio (118).

Veja: Carbono · Oganessônio

Massa atômica unidades de massa atômica unificadas (u)

A massa média dos átomos de um elemento, ponderada pela abundância de cada isótopo na natureza. 1 u é um doze avos da massa de um átomo de carbono-12.

  • Exemplo: O cloro tem 35,45 u, e não um número inteiro, porque cerca de três quartos dos seus átomos são cloro-35 e um quarto são cloro-37.
  • Tendência: Em geral aumenta com o número atômico, com algumas exceções famosas: o telúrio (127,6 u) é mais pesado que o iodo (126,9 u), embora venha antes dele.

Veja: Cloro · Telúrio · Iodo

Isótopo

Átomos do mesmo elemento com números diferentes de nêutrons. Quimicamente se comportam quase da mesma forma, mas têm massas diferentes, e alguns são radioativos.

  • Exemplo: O carbono-12 e o carbono-13 são estáveis; o carbono-14 decai lentamente, e é isso que torna possível a datação por radiocarbono.

Veja: Carbono · Hidrogênio

Como ler a tabela

Grupo colunas 1–18

Uma coluna vertical da tabela. Os elementos de um mesmo grupo têm o mesmo número de elétrons na camada mais externa, por isso costumam se comportar como membros de uma família.

  • Exemplo: Todos os elementos do grupo 1 (os metais alcalinos) reagem com a água, e todos os do grupo 18 (os gases nobres) quase não reagem com nada.

Veja: Sódio · Neônio

Período linhas 1–7

Uma linha horizontal da tabela. O número do período indica quantas camadas eletrônicas o átomo usa.

  • Exemplo: O sódio está no período 3, então seus 11 elétrons se distribuem em três camadas: 2, 8 e 1.

Veja: Sódio

Bloco (s, p, d, f)

A tabela se divide em quatro blocos, cujos nomes vêm do tipo de orbital que o último elétron preenche. São os blocos que dão à tabela o seu formato.

  • Exemplo: O bloco s são os grupos 1–2 (mais o hélio), o bloco p são os grupos 13–18, o bloco d são os grupos 3–12, e o bloco f são as duas linhas da parte de baixo.

Veja: Hidrogênio (s) · Carbono (p) · Ferro (d) · Urânio (f)

Categorias dos elementos

As cores da tabela agrupam os elementos pelo seu comportamento: metais alcalinos, metais alcalinoterrosos, metais de transição, metais pós-transição, semimetais, não metais, gases nobres, lantanídeos e actinídeos. "Desconhecidos" indica elementos superpesados cuja química nunca foi medida, porque só existiram uns poucos átomos deles.

  • Exemplo: Os semimetais, como o silício, ficam na fronteira entre os metais e os não metais e compartilham propriedades de ambos, e é exatamente por isso que o silício é tão bom para fabricar chips de computador.

Veja: Metais alcalinos · Gases nobres · Semimetais

Lantanídeos e actinídeos

As duas linhas abaixo da tabela principal. Na verdade, elas pertencem aos períodos 6 e 7, mas colocá-las ali deixaria a tabela com 32 colunas de largura, por isso elas aparecem embaixo.

  • Exemplo: Glenn Seaborg propôs em 1944 colocar os actinídeos em uma linha própria, e ouviu que isso arruinaria sua reputação. Em vez disso, a ideia lhe rendeu um Prêmio Nobel.

Veja: Lantanídeos · Actinídeos · A história da tabela

Elétrons: onde a química acontece

Configuração eletrônica

Uma lista dos orbitais que os elétrons de um átomo ocupam. O aplicativo a mostra duas vezes: a versão completa e uma versão abreviada, que começa pelo gás nobre anterior entre colchetes.

  • Exemplo: O oxigênio é 1s² 2s² 2p⁴, ou [He] 2s² 2p⁴ na forma abreviada. O cobre quebra a regra simples de preenchimento: [Ar] 3d¹⁰ 4s¹, e não 3d⁹ 4s², porque um subnível d completo é especialmente estável.

Veja: Oxigênio · Cobre

Camadas eletrônicas (modelo de Bohr)

Níveis de energia que abrigam elétrons a distâncias cada vez maiores do núcleo. A primeira camada comporta até 2 elétrons, a segunda até 8, e assim por diante. O modelo de Bohr em 3D do aplicativo as desenha como anéis.

  • Exemplo: O modelo de Bohr é uma simplificação: os elétrons reais não orbitam como planetas, eles se espalham em nuvens difusas chamadas orbitais. Mesmo assim, os anéis são uma ótima maneira de contar elétrons.

Veja: Sódio

Eletronegatividade escala de Pauling, sem unidade

A força com que um átomo atrai para si os elétrons compartilhados em uma ligação, como a pontuação em um cabo de guerra.

  • Exemplo: O flúor é o que atrai com mais força, com 3,98; o césio e o frâncio são os mais fracos, com 0,79. Quando o sódio (0,93) encontra o cloro (3,16), o cloro vence com folga e os dois formam o sal de cozinha, um composto iônico.
  • Tendência: ↑ ao longo de um período, ↓ descendo um grupo. Os gases nobres raramente formam ligações, por isso muitas vezes não têm valor.

Veja: Flúor · Césio · Cloro

Energia de ionização kJ/mol

A energia necessária para arrancar o elétron mais externo de um átomo. Valores baixos significam que o átomo cede elétrons com facilidade.

  • Exemplo: O hélio é o que segura seus elétrons com mais força, com 2.372 kJ/mol. O césio precisa de apenas 376 kJ/mol, e é por isso que reage violentamente até com água fria.
  • Tendência: ↑ ao longo de um período, ↓ descendo um grupo.

Veja: Hélio · Césio

Afinidade eletrônica kJ/mol

A energia liberada quando um átomo neutro captura um elétron extra. Um valor alto significa que o átomo tem grande tendência a ganhar um elétron.

  • Exemplo: O cloro tem o valor mais alto, 349 kJ/mol, um pouco à frente do flúor (328 kJ/mol), cuja camada externa pequena e apertada repele o elétron extra. Os gases nobres resistem a elétrons extras, por isso seus valores são negativos.
  • Tendência: Em geral ↑ ao longo de um período, em direção aos halogênios.

Veja: Cloro · Flúor

Estados de oxidação

A carga que um átomo teria se todas as suas ligações fossem totalmente iônicas. Muitos elementos podem assumir vários estados, e é por isso que formam tantos compostos diferentes.

  • Exemplo: O ferro geralmente é +2 ou +3, e a ferrugem é ferro no estado +3. O manganês vai de −3 até +7; no permanganato de potássio, de cor roxa, ele está no estado +7.

Veja: Ferro · Manganês

Tamanho

Raio atômico picômetros (pm)

O tamanho de um átomo, medido do núcleo até a borda da sua nuvem eletrônica. 1 pm é um trilionésimo de metro.

  • Exemplo: O hidrogênio mede cerca de 25 pm; o césio, cerca de 260 pm. Seriam necessários uns 20 milhões de átomos de césio lado a lado para cobrir um centímetro.
  • Tendência: ↓ ao longo de um período (mais prótons puxam os elétrons para mais perto), ↑ descendo um grupo (cada linha acrescenta uma camada).

Veja: Hidrogênio · Césio

Raio covalente picômetros (pm)

Metade da distância entre os núcleos de dois átomos iguais unidos por uma ligação simples. Descreve o tamanho de um átomo quando está ligado, e não isolado.

  • Exemplo: O raio covalente do carbono é 77 pm, então uma ligação simples carbono–carbono tem cerca de 154 pm de comprimento.
  • Tendência: Segue as mesmas tendências do raio atômico.

Veja: Carbono

Propriedades físicas

Densidade g/L nas CNTP

Quanta massa cabe em um determinado volume. O aplicativo mostra gramas por litro; divida por 1.000 para obter g/cm³.

  • Exemplo: O ósmio é o elemento mais denso, com 22.590 g/L: uma caixa de um litro cheia dele pesaria mais de 22 kg. O hidrogênio, o mais leve, tem apenas 0,09 g/L.

Veja: Ósmio · Ouro · Hidrogênio

Ponto de fusão kelvin (K)

A temperatura em que um sólido se transforma em líquido. Para converter em graus Celsius, subtraia 273,15.

  • Exemplo: O tungstênio funde a 3.695 K (cerca de 3.422 °C), o valor mais alto entre os metais, e é por isso que era usado nos filamentos das lâmpadas. O mercúrio funde a 234 K (−39 °C), por isso é líquido à temperatura ambiente, e o gálio (303 K) derrete na sua mão.

Veja: Tungstênio · Mercúrio · Gálio

Ponto de ebulição kelvin (K)

A temperatura em que um líquido se transforma em gás à pressão atmosférica normal.

  • Exemplo: O hélio ferve a apenas 4,2 K, só alguns graus acima do zero absoluto, o que torna o hélio líquido ideal para resfriar os ímãs dos aparelhos de ressonância magnética. O tungstênio ferve a 6.203 K.

Veja: Hélio · Tungstênio

Calor específico J/(kg·K)

A energia necessária para aquecer um quilograma de uma substância em um kelvin. Valores altos significam que a substância absorve muito calor antes de esquentar.

  • Exemplo: O hidrogênio lidera a lista, com 14.300 J/(kg·K). O ouro precisa de apenas 129 J/(kg·K), por isso um anel de ouro esquenta rápido no seu dedo.
  • Tendência: Átomos pesados geralmente têm valores menores por quilograma.

Veja: Hidrogênio · Ouro

Estrutura cristalina

Estrutura cristalina

O padrão repetitivo em que os átomos se empilham quando o elemento está no estado sólido. A menor "caixa" que se repete se chama célula unitária, e o aplicativo a mostra em 3D.

  • Exemplo: O cobre e o ouro têm estrutura cúbica de faces centradas, um empilhamento que permite que as camadas de átomos deslizem, e é por isso que eles se dobram em vez de quebrar. O ferro, à temperatura ambiente, é cúbico de corpo centrado. Para os elementos superpesados, a estrutura é apenas prevista.

Veja: Cobre · Ferro

Constantes de rede picômetros (pm)

Os comprimentos das três arestas da célula unitária, geralmente chamados de a, b e c.

  • Exemplo: No cobre, que é cúbico, as três são iguais: 361,49 pm. Na célula ortorrômbica do urânio, as três são diferentes: 285,37; 586,95 e 495,48 pm.

Veja: Cobre · Urânio

Ângulos de rede radianos (mostrados como múltiplos de π)

Os ângulos entre as arestas da célula unitária, chamados de α, β e γ. π/2 é um ângulo reto (90°).

  • Exemplo: Uma célula cúbica tem três ângulos retos: π/2, π/2, π/2. Uma célula hexagonal tem um ângulo de 2π/3, que equivale a 120°.

Veja: Cobre · Hidrogênio